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Contas do Rioprevidência: parecer unânime aponta problemas nos investimentos ligados ao Banco Master

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Aportes de R$ 515,42 milhões foram realizados entre maio e julho de 2025, apesar de alertas sobre os riscos; Conselho Fiscal também questiona os registros contábeis e os resultados financeiros.

O Conselho Fiscal do Rioprevidência (CONFIS) aprovou, por unanimidade, parecer pela rejeição das contas da instituição referentes a 2025. Segundo os registros disponíveis, é a primeira vez que o colegiado recomenda a rejeição das contas anuais do fundo. A análise apontou problemas relacionados à gestão dos investimentos, ao reconhecimento de perdas e às diferenças entre os demonstrativos financeiros.

Em julho de 2025, a exposição do Rioprevidência a títulos emitidos ou fundos administrados pelo conglomerado Banco Master chegava a aproximadamente R$ 2,618 bilhões, mais de 25% dos recursos aplicados no período analisado pelo Conselho.

Entre maio e julho daquele ano, o fundo realizou aportes de R$ 415,42 milhões no Revolution Fundo de Investimento Renda Fixa Longo Prazo Crédito Privado e R$ 100 milhões no Texas I FIA. Os investimentos, que somaram R$ 515,42 milhões, foram feitos apesar de alertas e recomendações para rever a exposição ao conglomerado.

Vinicius Zanata, presidente do CONFIS, da Assemperj e do SINDSEMP-RJ, ressalta que os problemas identificados precisam ser considerados em conjunto.

“A rejeição não decorre de um episódio isolado. Estamos falando de problemas na mensuração dos ativos, divergências entre informações contábeis e financeiras e de uma exposição que continuou sendo ampliada mesmo diante de sucessivos alertas”, afirma Zanata.

Rendimentos registrados e perdas em questão

A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, trouxe questionamentos sobre o tratamento contábil dos investimentos. No Plano Previdenciário, foram registrados R$ 826,17 milhões em receitas financeiras, incluindo rendimentos de Letras Financeiras do banco.

Para o Conselho Fiscal, as demonstrações deveriam refletir adequadamente a deterioração dos ativos, as perspectivas de recuperação dos valores investidos e as perdas esperadas. Zanata critica a forma como os rendimentos foram incorporados aos registros contábeis.

“O que vimos nos demonstrativos foi uma ficção contábil, onde, num mundo ideal, os altos rendimentos prometidos pelos títulos do Banco Master foram incorporados ao patrimônio do fundo e a meta atuarial foi batida com folga”, declara.

Segundo Zanata, a Procuradoria-Geral do Estado atua para recuperar ao menos R$ 1,6 bilhão, por meio de medidas envolvendo repasses de empréstimos consignados do Credcesta e bloqueio de recursos de gestoras de fundos que receberam aportes do Rioprevidência.

As contas também apresentam diferenças entre os resultados registrados pela contabilidade e os informados no Relatório Anual de Investimentos. No Plano Financeiro, a contabilidade apontou R$ 803,15 milhões em remuneração de títulos e investimentos em renda fixa, além de R$ 125,42 milhões em remuneração negativa de aplicações. O relatório de investimentos registrou rendimento anual de R$ 452,50 milhões.

No Plano Previdenciário, foram contabilizados R$ 826,17 milhões em receitas financeiras, enquanto o relatório apresentou R$ 484,32 milhões em rendimentos. Embora o Conselho reconheça que as metodologias possam ser distintas, a falta de uma conciliação clara entre os valores compromete a compreensão dos resultados.

A análise abrangeu as demonstrações dos Planos Financeiro, Previdenciário e Administrativo, além do Sistema de Proteção Social dos Militares. Ao concluir o exame, o Conselho considerou que os problemas encontrados comprometiam a confiabilidade das contas de 2025.

“O Conselho Fiscal tem o dever de avaliar se as contas representam adequadamente a situação patrimonial e financeira do Rioprevidência, e entendemos, por unanimidade, que isso não ocorreu em 2025”, conclui Vinicius

A rejeição do parecer não determina, por si só, a responsabilização dos envolvidos, mas os apontamentos precisam ser apurados. O SINDSEMP-RJ cobra esclarecimentos sobre as decisões de investimento, os critérios utilizados para avaliar os riscos e as medidas adotadas para recuperar os valores envolvidos.

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